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quinta-feira, 28 de julho de 2016

O Fruto é do Espírito






“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.” (Gl 5:22 versão AC) 

O capítulo 5 de Gálatas que trata das “obras da carne” e do “fruto do Espírito”, tão apregoado e estudado, será que tem sido entendido? 

Particularmente, para entender bem um texto (com a direção do Espírito Santo) acredito que ler apenas uma versão ou tradução do texto Bíblico às vezes é pouco. Algumas pessoas têm sido fiéis a uma versão apenas da Bíblia, por achar mais rebuscada ou simplesmente por questão de afinidade, porém, esta conduta pode limitar o entendimento da Escritura Sagrada. 

Também tem o fato de que traduções mais tradicionais usam termos e linguagem já fora do uso da língua falada, exigindo do leitor uma pesquisa adicional para entender o termo arcaico. Quando se usa termos fora de uso e distantes do uso coloquial atual, corremos o risco de não conseguir transportar para a nossa realidade, fazendo com que certos trechos célebres e ricos em conteúdo teológico se transformem em jargão. 

O problema do jargão é que a palavra sagrada corre o risco de se tornar adágio, palavra mágica ou uma sentença que as pessoas não param pra pensar no seu sentido, mas acatam de pronto a interpretação geral sem questionar. Como foi o caso do “Tudo posso naquele que me fortalece”, que durante muito tempo foi usado quase como fórmula milagrosa que dava a quem a dizia algo como superpoderes para fazer aquilo que não teria como alcançar ou não passar por algum tipo de provação, sendo que, trata-se de um texto fora do contexto, que na verdade ensina que aquele que está em Cristo recebe dele forças para suportar todo tipo de situação, seja ela favorável ou não. 

Assim tem sido com os termos “obras da carne” e “Fruto do Espírito”. Fala-se às vezes destas tais obras da carne com tanto rigor e horror, colocadas tão no campo da vida daqueles perversos e pervertidos incrédulos que estão longe dos caminhos do Senhor, que parece que essas tais obras, ao invés de serem da carne, são do próprio satanás.

Se lermos o mesmo trecho, porém em uma tradução de linguagem mais cotidiana, já salta aos olhos o caráter de atitudes viciosas intrinsecamente ligadas à nossa natureza humana. Veja: 

“As coisas que a natureza humana produz são bem-conhecidas. Elas são: a imoralidade sexual, a impureza, as ações indecentes, a adoração de ídolos, as feitiçarias, as inimizades, as brigas, as ciumeiras, os acessos de raiva, a ambição egoísta, a desunião, as divisões, as invejas, as bebedeiras, as farras e outras coisas parecidas com essas. Repito o que já disse: os que fazem essas coisas não receberão o Reino de Deus. ”

Fica claro né, que não é o diabo que faz o irmãozinho cair no pecado da imoralidade, nem é o capeta que faz a irmãzinha ter inveja da outra, nem é o mesmo inimigo que faz acontecerem as ciumeiras, as brigas e as inimizades no meio da igreja. 

É como diz o ditado em latim : “Homo sum: nihil humani a me alienum puto.” Que traduzido quer dizer: “Sou humano e nada do que é humano me é estranho”. Então estas coisas acontecem porque os crentes não deixaram de ser humanos. 

É por isso que Jesus disse a Nicodemos que para alguém ver o Reino de Deus tem que renascer da água e do Espírito, pois o que é nascido carne (natureza humana) é carne (realiza as obras da carne) e o que é nascido do Espírito (Natureza de Deus) é espírito. 
A única forma de um “serumaninho” crente não fazer coisas próprias de seres humanos (obras da carne) é ele sendo controlado pelo Espírito de Deus, como diz em Gálatas 5:16:

“Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. ” 

Agora o mesmo versículo na versão NTLH:
“Quero dizer a vocês o seguinte: deixem que o Espírito de Deus dirija a vida de vocês e não obedeçam aos desejos da natureza humana. ”

E continuando no texto vai ficando mais explicadinho ainda: 
"Porque o que a nossa natureza humana quer é contra o que o Espírito quer, e o que o Espírito quer é contra o que a natureza humana quer. Os dois são inimigos, e por isso vocês não podem fazer o que vocês querem." Gl 5:17

Quando o servo de Deus morre para sua própria maneira de ser e de se expressar como autêntico e errante ser humano, se manifesta na vida dele o “Fruto do Espírito”:

Já vi tanta gente pregando que o servo de Deus tem que produzir o fruto do Espírito, quando isso na verdade é impossível! Quem produz o Fruto do Espírito é o Espírito Santo!

Vamos para a Bíblia:
“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. ” Gálatas 5:22

Não ficou claro né? Então vamos para a outra tradução:

“Mas o Espírito de Deus produz o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio. ”

Entendeu? Se o amor, a longanimidade, a bondade e a fé aparecerem no meio das suas atitudes, não foram suas atitudes, foi o Espírito Santo controlando sua vida naquele momento!

O Fruto do Espírito, foi largamente explicado utilizando-se a analogia da mexerica e seus gomos. Exemplificando que nós deveríamos produzir todas as virtudes ali listadas, mas agora, vendo o fruto do Espírito como algo que só o Santo Espírito pode produzir, você percebe que se perdeu tempo com essa alegoria de mexerica quando na verdade a palavra fruto é utilizada para dar o sentido de algo que é produzido naturalmente, mas somente pelo sujeito correto: Mangas são produzidas pelas mangueiras, laranjas são produzidas pelas laranjeiras e o fruto do Espírito só é produzido pelo Espírito Santo de Deus!

Entende que te ensinaram algo não muito correto? Que te cobraram algo impossível? Você não pode produzir o fruto do Espírito. O que você pode e deve fazer é crucificar sua natureza humana – colocar na cruz sua maneira humana de ser; e deixar que o Espírito de Deus dirija sua vida. Só isso. 

Quando o Espírito estiver no controle ele vai produzir na sua vida o amor, a alegria, a paz, a paciência, e por aí vai. 

Deixarmos a sala de controle da nossa vida é o grande desafio, pois nós queremos estar no comando, por isso é natural que você vá entregando o controle aos pouquinhos. 
À medida que o Espírito começar a dirigir a sua vida você começará a ver se manifestar em você, primeiro a paz, e à medida que você for soltando o volante e deixando com ele, ele vai produzir amor, paciência e todas as outras atitudes que são próprias do Espírito Santo.

Vamos deixar o Espírito de Deus ser o piloto? Ele dirige bem melhor do que a gente!!!

Kelly Natanry Miranda





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