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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Não tenho Religião! Eu tenho um relacionamento sério com Deus.



A palavra RELIGIÃO historicamente possui várias etimologias propostas para sua origem. Cícero,  na sua obra De natura deorum, (45 a.C.) afirma que o termo se refere a relegere o seja, reler, sendo característico das pessoas religiosas prestarem muita atenção a tudo o que se relacionava com os deuses, relendo as escrituras. 

Esta proposta etimológica sublinha o caráter repetitivo do fenômeno religioso, bem como o aspecto intelectual. Mais tarde, Lactâncio (séc III e IV d.C.) rejeita a interpretação de Cícero e afirma que o termo vem de religare, religar, argumentando que a religião é um meio de os seres humanos restabelecerem sua ligação com Deus.

No livro "A Cidade de Deus" Agostinho de Hipona (séc. IV d.C.) afirma que religio deriva de religere, "reeleger". Através da religião a humanidade reelegia de novo o seu Deus, do qual se tinha separado. Mais tarde, na obra De vera religione Agostinho retoma a interpretação de Lactâncio, que via em religio uma relação com "religar".

Um conceito bem aceito de Religião é de que ela é um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e seus próprios valores morais. Muitas religiões têm narrativas, símbolos, tradições e histórias sagradas que se destinam a dar sentido à vida ou explicar a sua origem e do universo. Delas derivam vários conceitos de moralidade, de ética, as leis religiosas ou estilo de vida bem como ideias sobre o cosmos e a natureza humana.
 

Na prática, podemos reconhecer uma religião pelas seguintes características:

 - Possuem uma divindade; 
 - Elementos sagrados; 
 - Agentes intermediadores da religião
- Devoto;
- Local sagrado que pode ser natural ou arquitetônico;
- Livro sagrado; 
- Comemorações, sacrifícios, festas, datas especiais, rituais fúnebres e de matrimônio próprios, além de música e arte próprios. 

O ser humano é essencialmente espiritual e pode expressar sua espiritualidade de várias maneiras e o meio principal é através das religiões. Existem porém, formas não religiosas de espiritualidade, como algumas pessoas que se dizem sem religião ou ateus que possuem sentimentos espirituais, acreditam em "forças" ou "energias" que poderiam influir nos rumos da vida. 

As divindades geralmente surgem de lendas folclóricas. Para alguns, existem divindades dos mares, das matas, do fogo, etc, para outros elas surgiram em forma de algum objeto. Outras são elaboradas de forma mais complexa e sutil. 

Porém a fé cristã pressupõe a existência de um único Deus, criador de tudo que existe, eterno (não sujeito ao espaço/tempo), pessoal, amoroso, justo, perfeito, cheio de graça e misericórdia. Assim, pela ótica cristã, a adoração a múltiplas divindades ou qualquer outro deus é considerado um erro do ser humano que na busca pela sua origem, o Deus verdadeiro, erram o alvo e acabam adorando coisas ou criaturas geradas por ele mesmo. 

Apesar de as religiões terem um papel positivo, o ideal é que sempre conduzissem a sociedade a uma plenitude espiritual, em que todos desfrutassem daquilo que é necessário para uma vida tranquila e pacífica. Porém o que mais se vê é a indiferença diante da miséria dos outros, a ganância, o individualismo, consumismo, o abuso de poder econômico e junto a isso todas as demais mazelas sociais de qualquer povo.  

Se a religião pudesse "santificar" ou pelo menos melhorar o ser humano, não teria sido necessário que Deus enviasse seu próprio filho para pagar pelas culpas dos pecados da humanidade. A verdade é que a religião falhou e todos os seus métodos, rituais, liturgias, palavras sagradas/mágicas e fórmulas não conseguiram elevar o homem a ponto de poder religar-se com o seu Criador. 

No Novo Testamento Jesus Cristo revela-nos um Deus livre de burocracias e libertador, cheio de sabedoria, graça e amor, cuja vontade é que seus adoradores decidam livremente seguí-lo apenas por fé, amor e obediência. Um Deus que pode ser encontrado em todos os lugares, que não faz acepção de pessoas, que chama para si aqueles que a sociedade considera indignos e exorta à humildade aqueles que se acham merecedores de sua benção. 

Jesus era completamente contrário à ênfase que era dada às questões legalistas da religião em detrimento do cuidado com o ser humano, por isso foi duramente criticado pelos religiosos daquele tempo. Toda comunidade que dá importância a uma espiritualidade que isola, discrimina os de fora e coloca os "iluminados" ou os "espirituais" em pedestais superiores, está inteiramente fora do modelo proposto por Jesus Cristo. 

No evangelho de Cristo as grandes revelações de Deus estavam acessíveis aos mais simples, iletrados, pobres e marginalizados. O lugar de adoração se tornou o quarto, o monte, a praia, o jardim, enfim todo lugar em que o servo de Deus o buscasse espiritualmente com coração sincero e verdadeiro. A partir de Jesus, Deus está perto, à distância de uma oração feita com um coração inteiramente derramado em sua presença. 


Quer uma sugestão? 
Deixa de ser religioso e se torne uma pessoa comprometida apenas com a vontade de Deus! Tudo vai ficar bem mais simples e verdadeiro.


Fontes: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Religião
QUEIROZ, Carlos - Em busca da espiritualidade; o mercado da fé e o evangelho da graça - Viçosa, MG: Editora Ultimato, 2013.

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