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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Amizade: - Me dá o genérico!



Cansada de ver milhares de figuras servindo de fundo para a mesma frase: “Amo aquelas pessoas que eu posso ficar um tempo sem falar ou ver, mas quando nos reencontramos a amizade continua a mesma”.

Por que tanta gente tem se identificado com este texto? Acredito haver uma razão sociológica envolvida.
Em tempos de economia globalizada, internet e redes sociais, onde todo mundo é multitarefas, uma tarefa fica para segundo plano: O cuidado com os relacionamentos.

O pai de família que se esforça para conseguir o sucesso profissional, negligencia o casamento ou a relação com os filhos, ou os dois. A mãe que cuida dos filhos em primeiro lugar, negligencia o trabalho ou o casamento, ou a si mesma. O filho que estuda demais, se relaciona menos.  Quando se relaciona demais com os amigos, estuda menos ou  se distancia dos pais. 


São dias em que é necessário ter sucesso ou pelo menos parecer ter. Você precisa sobressair no trabalho, tem que malhar para manter a boa aparência, tem que fazer coisas interessantes para postar nas redes sociais. E as amizades verdadeiras ficam sempre pra quando der tempo.

E cada vez nos vemos “sem tempo” para falar ou ver nossos melhores amigos.  Passamos semanas e até meses sem mandar nem uma mensagem de texto. E quando a gente reencontra estas pessoas tão importantes, queremos que “a amizade continue a mesma”. 


E parece que continua. 
Abraçamo-nos entusiasmados, rimos, brincamos, nos inteiramos das novidades. Não nos damos conta que passamos a ser informados do que acontece com nossos amigos, quando antigamente nós fazíamos parte de tudo.


A amizade é um relacionamento muito próximo entre pessoas. Se relacionamentos são feitos de comunicação e interação, será que uma amizade em que os amigos não se vêm ou não se falam continua sendo uma amizade?  
E se isso for amizade (essa relação distante entre gente que sabe que tem muitas afinidades e boas histórias de um tempo em que eram realmente próximos, mas que ultimamente não se falam muito nem se vêm), de que vale? 
De que vale um amigo que não compartilha sua vida conosco e nem se importa de não estar fazendo parte da nossa? 

Existe um provérbio bíblico que diz que “Assim como os perfumes alegram a vida, a amizade sincera dá ânimo para viver” e já foi consagrado pela voz do povo que a amizade é um santo remédio, no entanto, para se ter uma amizade das boas, você tem que pagar um alto preço! 

Precisa investir tempo,tem que ligar, tem que conversar, tem que ouvir problemas, tem que se deixar conhecer, tem que fazer parte, tem que estar junto.  
E quem está interessado em algo tão oneroso assim?

Ah, me dá o genérico! 
Kelly Natanry Miranda

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